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    Sobre Percussão

Sobre Percussão

A percussão é parte inerente ao ser humano. O termo vem do latim percutere e significa cujo som se origina ao agitar, colar ou colidir com algo. Após a voz, os primeiros elementos criados pelo homem foram os instrumentos de percussão, que nasceram a partir de objetos do trabalho cotidiano como ossos, pedras, galhos, troncos e metais

Os instrumentos de percussão são classificados em idiofones, membranofones, cordofones e aerofones, podendo haver combinação entre os mesmos.

Categorias

Os membranofones têm uma membrana, ou seja, uma pele, distendida que vibra em função da percussão com mãos ou baquetas. Podem ter formato de caixas, barris ou aros e são cobertos por peles de animais de um ou ambos os lados. Assim como os pandeiros, adufes e tamborim (sem corpo de ressonância), os inúmeros tambores existentes no mundo são confeccionados em madeiras de boa qualidade ou em partes recortadas ou cavadas no tronco inteiro. Atualmente muitos tambores e corpos sonoros são produzidos com materiais artificiais e seguem padrões sonoros, afinações e exigências técnicas do mercado musical. Os membranofones podem ter alturas variadas entre si em um conjunto, por exemplo, de três tambores que se complementam, como o rum, rumpi e.

Os aerofones geralmente são considerados da família dos sopros, mas alguns são colocados entre os instrumentos de percussão, como é o caso dos apitos, búzios, flauta de nariz e zunidores (indígenas).

Idiofones são aqueles em que o som é produzido pela matéria do mesmo instrumento, sem utilizar a tensão de membranas ou cordas. Entre os idiofones existem chocalhos de diversas qualidades, materiais, técnicas e sonoridades, além de sinos, claves, cones, pratos, triângulos e diversos instrumentos de teclas de metal, madeira ou pedra, tocados com baquetas. Os idiofones podem produzir um único som, uma nota musical ou variadas alturas. São exemplos de idiofones: agogô, com dois ou três sinos diferentes, tambores de aço do Caribe (steel drum) e os xilo-, metalo-, litofones que apresentam escalas musicais com várias notas, da mais grave à mais aguda.

Os cordofones são instrumentos musicais cujo som é produzido pela vibração de uma corda tensa. Violinos, violão, harpas, cítaras e pianos são exemplos de cordofones. Na família da percussão o cordofone mais comum é o berimbau.

Percussão Brasileira

Origens

Instrumentos indígenas

Para os diversos povos indígenas os instrumentos são importantes comunicadores entre homens e entidades espirituais. A produção rítmica e sonora conta com a participação do corpo através de palmas, cantos coletivos como mantras, bater dos pés para fazer o solo vibrar e chocalhos presos ao corpo através de palmas, cantos coletivos como mantras, bater dos pés para fazer o solo vibrar e chocalhos presos aos tornozelos, coxas, braços, pescoço e cintura.

Os instrumentos tradicionais são os de percussão e sopro, mas as cordas (rabeca e viola) foram absorvidas dos portugueses e alguns tambores fazem referência à influência africana.

Pode-se destacar ainda o zunidor, um aerofone que produz som ao ser girado pelo ar atmosférico. Chocalhos em fieiras para evocar sons místicos produzidos geralmente a partir de sementes, cascas e nozes, além dos chocalhos globulares, maracas (cabaças recheadas de sementes ou grãos), tratados como entidades e usados em rituais espirituais.

Instrumentos luso-hispânicos e mouros

Existence um grande legado de músicas populares de origem galego-portuguesa com influências medievais e barrocas da cultura árabe, que encontrou convergência com influências indígenas e africanas e deixou herança em grande parte das músicas de tradição oral no Brasil. Inúmeros versos, ritmos, melodias, rezas e brincadeiras foram preservados nas zonas rurais e periféricas do país, revelando um passado ritmado e dançante da música europeia. Essas marcas podem ser encontradas em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e outros estados e principalmente no Nordeste do país.

Alguns dos instrumentos dessa herança se adaptaram em nome, e para uso, da cultura popular brasileira mas continuam presentes e marcantes em suas origens, como, por exemplo, os bombos (tocados em grupos de percussão em Portugal), o adufe (ou pandeiro, no Brasil), que evoluiu a partir de membranofones grandes e seus ritmos introduzidos na Península Ibérica pelos árabes entre os séculos VIII e XII, a caixa, o tamboril e a flauta, que representavam na Europa medieval o drum and fife (conjunto para executar toques de guerra e rituais e para entreter), a sarronca (zamborra), versão portuguesa e espanhola da cuíca/puita africana provavelmente originária da cultura muçulmana e ainda preservada em regiões em Portugal.

Há também os idiofones como as castanholas, os ferrinhos (geralmente em forma de triângulo), matracas que acompanham danças e cantares geralmente em atos litúrgicos e os zaclitracs, utilizados em Portugal na quaresma.

Instrumentos afro-brasileiros

A música popular brasileira foi fortemente influenciada pelas músicas africanas, especialmente as das civilizações conguesa e iorubana. A primeira contribuiu com o surgimento do samba e suas inúmeras ramificações como o jongo, coco, carimbó, tambor de crioula, congada, batuque de umbigada, maracatu e outros. A segunda se manteve viva nas músicas religiosas afro-brasileiras, e estilos decorrentes, e teve forte influência nas músicas afropopulares principalmente na Bahia e Rio de Janeiro.

Ambas matrizes são caracterizadas pela polirritmia expressa através dos instrumentos de percussão, especificamente os membranofones (tambores das mais variadas formas). O tambor comunica com destaque os sentimentos mais íntimos do continente africano, que se trata de uma musicalidade que fala através do ritmo e da dança. Na ausência dos tambores, destaca-se as palmas, pisar dos pés e sons vocais como onomatopeias ritmadas.

Os tambores possuem abrangência de materiais, formas, usos, funções, sonoridades, afinações, toques e tabus. Em muitos casos, representam entes sagrados e são guardados em lugares específicos. Vale frisar, contudo, que as músicas africanas não são executadas somente por tambores, mas também por uma variedade de instrumentos de cordas (harpa, alaúde, cítara e, mais recentemente, violão, guitarra e outros) e de idiofones (chocalhos, sinos, claves, cabaças, reco-reco, etc.), também presentes na percussão afro-brasileira.

Os africanos foram responsáveis pela introdução de inúmeros instrumentos na música brasileira, a exemplo da cuíca, berimbau, ganzá e reco-reco. Contribuíram com a manutenção, transformação e criação da maior parte dos folguedos populares preservados nas Américas e no Caribe.